O Lorax: Em Busca da Trúfula Perdida

O LORAX: EM BUSCA DA TRÚFULA PERDIDA (DR.SEUSS’THE LORAX). ANIMAÇÃO. DE: CHRIS RENAUD E KYLE BALDA. VOZES DE: DANNY DEVITO, ZAC EFRON, ED HELMS, TAYLOR SWIFT, BETTY WHITE, ROB RIGLE, JENNY SLATE. 2012. UNIVERSAL PICTURES.

Por Rodrigo Meneses

★★★★

ImagemAlguns artistas têm o poder de vagar por universos, nos fornecer jornadas encantadoras e heróis diferentes. Outros, não se preocupam em transitar tanto e criam seu próprio universo. E nisso, ganham intensidade, pois a cada obra, são revelados momentos, casos, sua narrativa flui com uma potência incrível. E um desses casos, é o de Theodor Seuss Geisel, mais conhecido como Dr.Seuss. Alguns de seus maiores sucessos já ganharam espaço no cinema: em live-action, vieram o fantástico “O Grinch” e o péssimo “O Gato”; em animação veio o bacana “Horton e o mundo dos Quem!”. E eis que chega a aula ambiental para crianças, de O Lorax.

ImagemO Lorax: Em Busca da Trúfula Perdida” conta a história de Ted (Efron) um garoto de doze anos, que vive numa cidade chamada Thneesdville, onde nada vem de matéria prima. Tudo é feito de plástico e industrializações limitada. Tudo soa artificial demais, não há terra, pedras, árvores. É então, ao ser convidado para entrar na casa de Audrey (Swift), paixão de sua vida, que Ted descobre que a garota ama árvores – no caso, a trúfula. Como não há mais trúfulas, Ted resolve sair em busca de uma. Incentivado por sua avó (White), ele precisará descobrir toda a história sobre o fim das trúfulas com Umavezildo (Helms), enfrentar a ira do mega-empresário canastrão O’Hare (Rigle) e conhecer a lenda de Lorax (DeVito), o protetor da floresta.

ImagemAdaptado pela dupla Ken Daurio & Cinco Paul (“Horton e o mundo dos Quem!” e “Meu Malvado Favorito”) do livro homônimo, temos um conto infantil atraente em todas as formas. Mesmo já sendo um universo visualmente único de Dr.Seuss, a história não se limita a ir direto ao assunto. Explica-se seus detalhes, suas peculiaridades. A origem de Thneedsville é contada com boa energia e cada “peça” da cidade que aparece num grande mundo criado é bem representada ou explicada. Da mesma forma, boa parte das relações entre as personagens ficam bem desenvolvidas, especialmente a principal que é entre Umavezildo e Lorax. A história de um “buscapé” que tem inteligência, vontade, e coração, mas acaba por se cegar diante da cobiça de sair do buraco em que vivia e de ser tratado como pé-rapado sendo mais mal tratado do que seus dois irmãos acéfalos por estes serem mais úteis. É nesta premissa que Umavezildo tem uma idéia, de criar um produto multiuso chamado “thneeds” e para tal terá de destruir toda a floresta de trúfulas. E daí conhecemos a fauna fantástica do local e não tarda muito para aparecer a entidade protetora da floresta: Lorax.

Ora, se o roteiro acerta em cheio na relação entre o bigodudo ser e o caipira inventor e rendendo cenas realmente hilárias ou em alguns momentos bem emotivas, não se pode dizer o mesmo de Ted. Um personagem que acaba sendo usado de forma arcaica, apenas como a linha que faz os outros transitarem pelo labirinto. Falta profundidade ou até mesmo carisma e nem na sua tentativa de chegar no Umavezildo que deveria render risos, fica de certa forma fria. E se, levado por agradar a paixão de sua vida, Ted resolve se arriscar de todas as formas a encontrar a verdade sobre Thneedsville e a trúfula perdida, não se vê uma boa justificativa do garoto realmente fazer isso já que a relação entre Ted e Audrey jamais é bem aproveitada ou revelada com um mínimo de interesse. Afinal, se a lição não só é mostrar que deve se preservar o meio ambiente, ficou-se perdida a chance de mostrar que lutar por seu grande amor pode levar a caminhos fantásticos e resultados ainda melhores do que prevíamos pois todo pequeno gesto surge de um bom coração, de amor.

ImagemDirigido pela dupla Chris Renaud (“Meu Malvado Favorito”) e Kyle Balda, “O Lorax: Em Busca da Trúfula Perdida” se desperdiça alguns detalhes no roteiro, acerta em todo o resto. Apostando na rica e fértil imaginação visual de Dr.Seuss, o filme esbanja naturalidade num mundo amplamente falso. Onde até mesmo árvores são feitas de balões e outros meios plásticos, o jogo de luzes e formas conquista o espectador. Uma abundância de arte no melhor significado da expressão. Um belo trabalho de fato de Eric Guillon (“Meu Malvado Favorito”). Tudo encontra sentido numa cidade onde as pessoas nem sabem o que isso representa. E o visual das criaturas é tratado de forma cautelosa e encantadora. O que seria do filme se seu personagem título não representasse uma figura que, convenhamos, dá vontade de ter por perto?

ImagemFielmente adaptados dos livros, as personagens se mantem na mesma forma (leia, desenho) do original, ganhando apenas vida. Reparem como mesmo tendo tom de desenho, os olhares de pena e compaixão de Lorax sobre Umavezildo traduzem naturalidade, convencimento. E não há como não se derreter com os adoráveis ursos miniatura que vagam por ali, ou os peixes – que mesmo abusando da fantasia ao ficarem de forma normal fora da água – e os patos que têm seu desenho estilizado fazem da floresta não apenas mais uma, mas um ambiente deveras encantado, memorável.

ImagemUm ponto forte do filme, sem dúvida, é o seu caráter musical. As canções são bem escritas e surgem sempre na hora certa, sempre agradando pela mensagem direta e simples, e em tom agradável. John Powell (“Formiguinha  Z”, “Era do Gelo 2, 3”, “A Fuga das Galinhas”, “Happy Feet 1 e 2”, “Robôs”, “Kung Fu Panda 1 e 2”, “Como treinar o seu dragão”) alterna grandes tons, mantendo o espectador sempre atento na entonação que o filme lhe conduzir. Aliado a isso, as dublagem brasileira está de parabéns. Um dos melhores trabalhos feitos em animação. “O Lorax: Em busca da Trúfula perdida” mostra que se você não tem um Jim Carrey para liderar, faça em animação. Fica de forma suave para a criançada que para ser um homem de sucesso seja um ser vivo colaborativo. Onde um gentil e visionário escritor deixa um legado de esperança e união, que os jovens aprendam desde cedo as virtudes para não apenas ser um bom homem, mas ser uma peça fundamental na manutenção e preservação do todo que é nosso planeta.

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